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28 de setembro

Por aMaR & AmAr demais (Parte II)

abraço lindo

 

Por dias e dias, ansiosa te espero. Sim meu Bem, a saudade é voraz

Vejo-o livre e assim liberto te quero

Por (te) aMaR & AmAr demais

 

Distante estando, és o ensejo da ausência da minha paz

Anseio-te perto pra matar esse desejo

Por (te) aMaR & AmAr demais

 

Enquanto isso, planos construo. Pinto lindos e muitos quadros corais

Ah meu Amor, a certeza eu possuo

Por (te) aMaR & AmAr demais

 

Busco aconchego nos teus braços e te sinto como um cais

Morreria feliz no calor do teu abraço

Por (te) aMaR & AmAr demais

 

 

Rebecca Melo

27 de setembro

Por aMaR & AmAr demais (Parte I)

palavras sem borda
 

Por aMaR & AmAr demais,
respiro flor em teu sorriso
E exalo intenso brilho por cada poro do meu ser

 

Por aMaR & AmAr demais,
escolto o teu sentimento
Esqueço os maus momentos como quem sequer os vê

 

Por aMaR & AmAr demais,
vejo cores, luz e zéfiros
Ouço alaridos histéricos sempre que não vejo você

 

Por aMaR & AmAr demais,
almejo ver-te em sucesso
E mesmo cada vez mais perto, jamais paro de torcer

 

Por aMaR & AmAr demais,
sonho alto e em conjunto
Ligeiro mudo de assunto só de pensar em te perder

 

Por aMaR & AmAr demais,
grão de areia, pequena me sinto
Também grande, porém, suscito o futuro que ninguém lê

 

Por aMaR & AmAr demais,
medo, temor, grado receio
Encalçam meu maior anseio: viver de amor, te dar prazer

 

 

Rebecca Melo

25 de setembro

MI(ni)NA Ama(LeRa)

kima_menina

Já fui sapo, lagartixa, borboleta e catita. Já fui boba, alegre, chata e irritantemente animada. Vesti preto, cor-de-rosa, amaLeRo e ardósia. Já fui jovem, magra, linda, bailarina, loira e bela. Já amei, sofri, chorei, superei e me ergui da queda. Já pensei, estudei, trabalhei, diverti-me e descansei. Parti, explorei, sorri, vivi, dormi e retornei. Já fui infante, aspirante, comandante, coronel e almirante. Voei em céus de brigadeiro e comi nuvens granuladas, levitei sobre as estrelas (são purpurinas disfarçadas). Já senti vento, Sol e chuva: vi “casamento de viúva”. Refleti sobre mazelas e desisti: E agora? Recobrando as esperanças, fechei a caixa de Pandora. Fiz planos de vida contente, com casa, marido e parente. Noites em claro em quartos coloridos, zelando por filhos de nomes sortidos. Quis ser veterinária, oftalmologista, bailarina, jornalista, cantora e violonista. Hoje sou só um monte de frangalhos, tal qual colcha de retalhos, pensando em ser alpinista. Ascender é o melhor lema: alcançar o amor-emblema e aprender mais a cada problema. Espero apenas dessa vida (mais bela) que me agracie com a visita singela de um bem-te-vi pousando na janela.

*E por falar em licença poética e palavra composta, não se oponha se eu estiver munida e disposta a te-bem-querer por mais que toda a vida*

 

Rebecca Melo

24 de setembro

Breve metalinguagem da controvérsia

2006080300_letras-tm 

IDÉIAS que fluem e querem se expor
Mas será que quero que o façam?
Quem sabe? Não posso supor

Viram PALAVRAS e querem sair
Mas será que quero que saiam?
Difícil! Já não sei decidir

Juntas, querem TEXTO virar
Vontade própria seria?
Parece! Não posso mais controlar


Rebecca Melo


20 de setembro

Reincidência

calada[1]

Mal avassalador
que alimenta um vício
Incontrolável? Talvez..
Mais parece um martírio

A maldição se apodera
Coração despreparado
É parecido? Pudera..
Repetição  do mesmo quadro

Tentativas se sucedem
Mudança significa calvário
Mas e agora? Penso eu..
O tal do vício acha hilário

Um grande poeta diria:
“E do riso fez-se o pranto”
Riso dele, pranto meu
Não sei por que ainda me espanto

Um labirinto de idéias
Que teimam em virar palavras
Mas que diabo! Outra vez?
Reincidência.. Isso nunca pára

Alguém questiona inocente
Quando te omitirás, criatura?
Sem resposta, porém
A pergunta ecoa e perdura

 

Rebecca Melo

18 de setembro

Ensaio sobre a felicidade

coraçãofuracão

Após tanto tempo sem atualizar este espaço, é chegado o momento em que, não mais me contendo em expressar o que penso e sinto, resolvi deixar as mãos livres para escrever. Tenho refletido muito ultimamente e, sobretudo, sentido mais do que gostaria. Esse fato tem me conduzido a pensamentos estranhos e confusos a respeito da fragilidade da mente humana, ante as mais delicadas oscilações sentimentais.

Fico a me perguntar por que é que, mesmo com todos os motivos para sentir a felicidade plenamente, a gente tende a arranjar motivos (talvez até inconscientemente) para se angustiar, colocando toda a felicidade conquistada em risco por conseqüência. Medos, inseguranças e erros daí decorrentes atrapalham tudo.

Mas, apesar de todos os esforços, não encontrei uma resposta suficientemente satisfatória para o questionamento. Por isso, só me resta me conformar em saber que esta é mais uma das tantas características próprias da condição humana. Através de lutas diárias precisamos aprender a lidar com ela e, quem sabe até superá-la, para que as nossas vidas se tornem mais gostosas e menos instáveis.

Às vezes sinto vontade de arrancar o coração do peito e dar-lhe uma boa lição de moral. Passar bem uma meia hora dizendo-lhe como deve sentir, tomando por base o meu (pouco usado) lado racional. Mas, embora essa vontade seja forte, não há como executá-la.

Os turbilhões de sentimentos (e maus pensamentos deles advindos) se instalam e, então, não nos resta mais nada a fazer além de esperar a tormenta passar. E quando isso acontece, temos ao menos o consolo de que o dito popular “depois da tempestade vem a bonança” (invariavelmente) funciona.

Não importando quanto tempo durem e o quão intensas sejam, as ventanias sempre passam. Carregam consigo todo o mal que nos acometia e nos deixam a valiosa oportunidade de recomeçar, reconstruindo as condições, outrora perdidas, de voltar a sentir a tão almejada felicidade (que na verdade, sempre esteve ali, ao nosso alcance).

OBS: Acho que o meu otimismo reincidente é mesmo um (bom) mal incurável!

 

Rebecca Melo